Matéria-perfil apresentada à disciplina Técnicas da Notícia pelo aluno Esaú Maia, 2º período.
Estamos sentados, ao ar livre, em redor de uma mesa de pedra próxima a um corredor do Centro de Ciências Sociais, prédio onde ela estuda. Vestindo uma calça branca e uma regatinha preta bem básica, num “saltíssimo” de sete centímetros e com os cabelos cacheados ao vento, Gisele me conta, sempre com um belo sorriso no rosto, como foi sua trajetória até São Luís, onde mora atualmente. “Rapaz... Eu fiz três vestibulares. E passei no quarto, para Comunicação”. Antes, havia tentado para Contábeis, Administração e História. “Foi uma escolha meio aleatória”, lembra, descontraída.
Passou em segundo lugar no sistema de cotas e já tinha em mente a ideia de conseguir uma vaga no LURAGB, lar para estudantes femininas da Universidade, pois não tinha outro local para morar. No início, ainda morou com dois amigos, também de Bacabal, em um apartamento, onde residiu durante dois meses. “Eu nunca vou ter como agradecer a eles por essa estadia”, admite a estudante.
Nunca havia morado fora de casa, mas sempre teve liberdade para sair e viajar sozinha. “Minha mãe sempre foi liberal comigo. Acho que é por isso que eu não tenho freio”, comenta Gisele. Sua personalidade não deixou que ela ficasse parada por muito tempo e logo conseguiu a vaga tão esperada na casa estudantil. A aluna afirma ter tido alguns problemas de convivência no começo e diz ter trocado de quarto três vezes. “Não foi por minha culpa. Picuinha de meninazinha, de criança...”, argumenta. Espera não ter que trocar de quarto novamente e explica que se dá bem com todas as meninas que o dividem com ela.
Comunicação e Vida Social
O propósito maior de toda essa história era entrar na universidade, deixar o conforto de casa e tentar a vida na cidade grande. Dentro da Comunicação Social, Gisele optou pela habilitação Jornalismo e revela que no começo do curso teve um pouco de dificuldade, principalmente para se entrosar com os outros universitários. “Era uma coisa totalmente nova para mim”, ressalta. A timidez se transformou em carisma, e hoje Gisele tem um bom relacionamento com sua turma. Mesmo não possuindo afinidade com todos, é muito querida pelos que estão sempre junto dela.
Outra dificuldade foi em relação às disciplinas. Esse é mais um contraste que Gisele expõe. Apesar de ter escolhido um curso na área social, reconhece preferir assuntos que tratam de objetos mais exatos, como Biologia, Química e Matemática. E prossegue dizendo que acha complicado entender a mente humana: “Eu sei disso porque sou uma pessoa difícil”, revela.
Saudade
O maior problema, logo que chegou a São Luís, foi a falta que sentia da mãe. Nossa entrevistada bacabalense narra algumas situações que costumava viver com ela em casa: “Minha mãe fazia tudo, colocava até meu almoço no prato”, sorri, ao recordar desses momentos. “E eu sempre fui muito apegada à minha mãe, demais. Eu deixava a luz acesa só para ela vir cobrir meu pé”. Gisele conta que no primeiro período do curso não saía muito, e foi a época na qual a saudade de casa mais apertou. Sentiu um baque muito grande e sabia que dali em diante muitas coisas iriam mudar no seu dia-a-dia. “Eu chegava em casa e não via minha mãe, era muito estranho”, explica e reforça que a noite era o horário em que ela sempre costumava ver seus pais. E no LURAGB era diferente, ainda no primeiro período: “Chegava em casa e não tinha ninguém conhecido, era todo mundo estranho. Não tinha comida feita”, desabafa. Com o passar do tempo ela tem conseguido se virar: “Já me conformei”. Segundo a estudante, estas são as palavras que definem como ela está hoje.
Vivendo um dia de cada vez
Contrapondo-se a este lado caseiro, Gisele foi se soltando e resolveu que deveria aproveitar enquanto estivesse fora do ninho. Perguntei-lhe o que ela espera para o seu futuro. A estudante responde que é preciso aproveitar o hoje, porque pode não haver amanhã. Ela confessa que vez ou outra fica se perguntando se haverá o próximo dia. Por enquanto quer se divertir como puder e só vai “levar as coisas a sério quando tiver setenta anos”, brinca.
Alguns podem considerá-la uma mulher feita e independente. Outros podem vê-la como uma criança inconsequente. Gisele é assim, cheia de emoções e contrastes à flor da pele. Ela está tentando se encontrar. Vai prestar vestibular mais uma vez, apostando agora na área da saúde. Sonha em atuar novamente na área de publicidade, na qual já trabalhou antes de se mudar para a capital. Acrescenta que gostava da correria para organizar os preparativos de eventos. Finalizo a entrevista questionando-a sobre qual ramo do Jornalismo ela seguiria, caso levasse a carreira adiante. Prontamente ela replicou que desejaria escrever sobre moda. As revistas femininas que carrega consigo confirmam a resposta.
Antes de despedir-me, pedi para que deixasse uma frase para os leitores. Eis a resposta: “Viva um dia de cada vez!”.

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